Dois apostadores mostram-te o registo deles. O primeiro acertou 65% das apostas. O segundo acertou 42%. Qual dos dois está a ganhar dinheiro?
Não sabes. Falta o número que interessa.
A conta que muda tudo
Cada odd tem um limiar de rentabilidade — a taxa de acerto mínima para ficares empatado. Calcula-se dividindo um pela odd.
A odds de 1.50, precisas de acertar 66,7% das vezes só para não perder. Os tais 65% do primeiro apostador, a essas odds, são prejuízo. A odds de 3.00, o limiar cai para 33,3%: os 42% do segundo apostador dão lucro sólido.
A taxa de acerto sozinha não significa nada. Só ganha sentido colada às odds a que foi obtida.
Porque é que isto engana tanta gente
Porque acertar dá uma sensação boa e perder dá uma sensação má, independentemente do preço. Um apostador que ganha nove em dez a 1.20 sente-se competente — e está a perder dinheiro, porque precisava de ganhar mais de oito em dez só para empatar, e a margem come a diferença.
O inverso também acontece: quem aposta a odds altas passa a maior parte do tempo a perder e sente-se incompetente, mesmo quando está a fazer tudo bem.
O que vale a pena olhar em vez disso
Lucro em unidades, que junta as duas coisas numa só. E, para amostras pequenas, o valor face a linha de fecho, que te diz se estás a apanhar bons preços antes de o resultado aparecer.
Quando alguém te mostra só a percentagem de acertos, sem odds médias e sem lucro, ou não percebeu, ou percebeu bem demais.